Dando continuidade ao texto escrito na semana passada “A porta de entrado do mercado”, Armando Vernaglia Jr, hoje publicou algo sobre o que não se deve fazer e que muitos fazem. Mais uma vez concordo e replico aqui por isso. Para muitos pode soar um tanto áspero o texto, mas acho que vale refletir sobre, como o próprio Armando diz…
“Algumas pessoas talvez se ofendam com este texto, mas digo que minha intenção é a de causar reflexão. No artigo passado tratei do que considero o caminho certo para entrar no mercado, a porta da frente, neste falarei do jeito errado, adotado pela maioria.
Hoje todo mundo pode ser fotógrafo, basta comprar uma câmera. Após esse simples passo é questão de achar tutoriais na internet, perguntar alguma coisa para alguém disponível, quem sabe ler uma revista e pronto, é só sair por aí dividindo com o mundo suas visões únicas obtidas com sua nova máquina digital de “trocentos” megapixels.
Em tempos de crise na indústria o processo se intensifica, pois muitas pessoas perdem o emprego e na urgência de conseguir ganhos financeiros abraçam profissões livres, artísticas e não muito regulamentadas, como fotografia, ilustração e design.
É tudo fácil e simples no admirável mundo novo das tecnologias digitais e do moderno limpa tudo chamado photoshop. Se não souber usar o photoshop basta ajustar um bom discurso e dizer que aquilo é seu estilo, sua arte, sua visão e deixar assim mesmo, cheio de defeitos e falar que é proposital.
A foto saiu escura? Tremida? Tudo bem, converta para preto e branco que fica ótimo, se está fora de foco coloque bem pequena na página que ninguém irá reparar. Composição mal feita e sem harmonia? Sem problemas, corta um pouco daqui, um tanto dali, aproveita só um pedacinho da foto e pronto, tem “trocentos” megapixels para isso mesmo. Estudar e fazer tudo do jeito certo? De jeito nenhum, curso demora e custa caro.
Ironia? Não, é o retrato fiel do mercado em que qualquer um se diz fotógrafo e todo lixo é chamado de fotografia, pior, é chamado de arte. Para as dores póstumas de gênios como Bresson, Doisneau, Man Ray, Halsman, Brandt, Munkacsi e outros.
Devo dizer, cortando a alegria de muitos, que não, essa montanha de gente no mercado se dizendo fotógrafos não o são, não merecem este título e não tem o direito de exercer essa profissão. Deveriam ser processados por jogarem o dinheiro dos clientes no lixo.
A cada um que neste momento pensa em ser fotógrafo, estude, pesquise, compre livros, faça cursos. Se for autodidata, seja um pesquisador incansável em busca de imagens realmente valiosas, que engrandecem o ser humano. Faça por merecer o título de fotógrafo, respeite essa profissão que já teve nomes tão nobres e inspirados como os que citei acima.
Respeite também seus clientes, eles pagam suas contas e não merecem receber disfarces feitos no photoshop de fotos mal feitas.
Alguns vão dizer que ando rabugento, reclamo de tudo, mas cheguei à conclusão de que se ninguém falar, muitos vão continuar achando que estão fazendo o certo, de que é normal comprar uma câmera, estudar um pouquinho e sair por aí dizendo que é profissional. Imagine se eu fizesse um curso básico sobre anatomia e saísse por aí dizendo que sou médico. Espero que alguém leia, reflita e opte por fazer as coisas do jeito certo, com estudo profundo, respeito e dedicação.
E lembrando: a todos que investem nos estudos, compram livros, pesquisam, visitam museus para ver e entender arte em todas as formas, participam ativamente de listas de discussão e fóruns ajudando e sendo ajudado, que esperam para estar prontos, com boa técnica, bom repertório artístico e estético antes de se colocarem no mercado, este texto não é para vocês.”


Rafa,um belo texto e uma discussão muito pertinente
ao momento,
bem lembrado!